quarta-feira, 8 de julho de 2009

Lembranças para uma amizade perdida

Experimenta o café sem doces, comparando com o amargo do novo ciclo.
Recém feita a descoberta de que definitivamente as mudanças corroem.
Escuta as conversas das mesas ao redor, já não tenta ser aceito.
Os últimos amigos que restam, estão distantes. Os que ficaram incluem-se agora em outro grupo de amigos.

Vidas feitas com aceitações, aprende a escutar críticas, que agora soam como destrutivas, absorve o necessário.

Abre portas e janelas.
- Solidão, poeira leve...

Repete a frase que leu a pouco. Esquece das regras sobre não falar sozinho em lugares públicos, aceita também os olhares de estranhamento.

- A porta aberta, sinta-se...
(É interrompido).

Com um ar de grande alegria, o desconhecido conhecido o cumprimenta...
- Olá! Tudo bem? Como vai? Tomando um café?

Desanimado, quase não se ouve a réplica.
- Pois é, as vezes é preciso...
Fixa o olhar na xícara, nesse momento imagina-se a nadar no café.

Passado o incômodo do encontro desnecessário. Aprecia sua própria companhia.
Aprende a chorar sem motivo, também sorri, e ri. Os detalhes já não encantam...


Arrepende-se do presente comprado. Gastou metade do salário por quatro meses.
- Em vezes.

Mais cedo, encontro marcado, entrega a ela a caixinha azul. Surpreso com os sorrisos recebidos, sem palavras e sem chão, esta sentado no café desde a despedida.

Sente frio, termina o café. Necessidade de contar o ocorrido, o arrependimento diante da reação dela.
- Ficaste Feliz...

Ele esperava um término, com a vontade da solidão, agora sente falta das companhias boêmias, onde o desabafo é certo.



Ela caminha apressada, apreensiva e feliz. Excitada com o brilho da jóia. Observa os detalhes da noite agradável, cores, corpos a mostra.

Enfeitiçada pelos vários tons do anel, que estouravam conforme andava sob os postes de luzes quentes.
Chega em sua casa com um sorriso estampado. Dificuldade em abrir o portão baixo, corre até a porta e desaba nas dúvidas e certezas, reprime a felicidade infantil.

3 comentários:

Gil disse...

She grows up while he goes down..

Rafael disse...

Ótimos textos, Larissa .

Existe na sua escrita uma densidade inerente, um desassossego "aprazível".

Espero que não haja problemas em Acompanhar os seus trabalhos.
Abraço!

Carlos Careqa disse...

gostei do texto Larissa