sábado, 27 de junho de 2009

Passante

Durante a madrugada ele acontece. Desprovido de cascas e máscaras, relaxando a fala e os gestos, o andar torna-se macio.

Com o olhar direcionado mas sem foco definido, a expressão anunciando algo concreto, com o ar de quem acaba de tomar uma grande decisão; ele caminha, confiante, com um cigarro sendo degustado desesperadamente, tragadas intermináveis.

Sem paciência para bares e lares, na rua suporta as respirações.

3 comentários:

Gustavo Pinheiro disse...

gostei do tempo, uma certa cadência que está nas palavras...

gostei da brincadeira com "bares e lares"...

perdi-me no delta dos significados... pareceu-me um rio quando vai chegando perto do mar e se ramifica tanto que fica difícil de navegar... às vezes, é até impossível... mangue, bancos de areia... é um lugar bonito, mas pouco navegável...

gostei! achei difícil... pode ser que eu não esteja entendendo, pode ser que seja muito particular... mas eu tenho um sentido todo especial no qual eu posso interpretá-lo...

Larissa Adamowski disse...

Gosto do "sentido particular".
Cada um entende e sente o conto conforme sua bagagem...

Bruno disse...

Ótimo esse. Da minha própria maneira, com minha própria bagagem gosto como entendo e sinto esse...